Archive for Março, 2011

Nota de curso influencia empregabilidade?

Penso que seja consensual que as notas que se tiveram ao longo do curso de Engenharia Civil não sejam importantes. Ou pelo menos que não sejam o mais importante.

No entanto, quem é convidado para dar aulas na universidade das duas uma: ou é realmente um bom aluno ou então tem uma cunha. Também quem ganha as bolsas de investigação são os melhores alunos. E quem vai para as maiores empresas no priemiro emprego são os melhores alunos.

Obviamente que as empresas querem os melhores nos seus quadros. E na engenharia civil isso não é excepção. Mas será que os melhores alunos serão aqueles que efectivamente são melhores engenheiros? Claro que não.
Existem muitos “crânios” que não sabem sequer o que é um nível. Ou para que serve. Existem também excelentes alunos que simplesmente não se adaptam à vida de engenheiro em obra.

Será o mercado de trabalho que encarregar-se-á de separar o trigo do joio. Assim, ao longo da vida profissional serão facilmente distinguíveis bons e maus engenheiros, não tendo isso uma correlação directa com a média do curso de Engenharia Civil. Por isso, não será de estranhar que um aluno que demorou quase a vida toda a acabar o curso seja um excelente engenheiro e que um que fez o curso em 5 anos com média 17 não o consiga atingir os mesmos padrões.

Também não será de estranhar que na busca de emprego um aluno de 10 ganhe a vaga a um aluno de 14. Porquê? Porque apresentou melhores capacidades técnicas, sociais e/ou organizacionais. Porque fez mobilidade no estrangeiro. Porque complementou a sua formação académica com um ou outro curso relevante. Ou então simplesmente porque engraçou com ele. A verdade é que a contratação de um engenheiro é quase como a compra de um melão. Nunca se sabe o que vai sair dali.

Algumas empresas nos seus anúncios obrigam a ter uma nota mínima para se concorrer. Isso limita muita gente a concorrer. Por isso se estás a estudar engenharia civil esforça-te para tirares boas notas, mesmo sabendo que isso não será garantia de emprego na área. Mas é um bom princípio. Pratica um desporto, socializa, ganha experiência de vida pois tudo isto será tido em consideração na contratação.

Em suma, as empresas ao analisarem um currículo pouco tempo perdem com a nota final do curso dando prioridade a outras competências. E a universidade em que se andou? Influencia? Isso fica para uma próxima análise.

Salário Mínimo e Isolamento Sonoro

Aproveitando a recorrente discussão sobre o reduzido valor do salário mínimo em Portugal, recordo aqui uma pesquisa que efectuei recentemente, a propósito de um trabalho de consultoria acústica, acerca dos níveis isolamento sonoro em diferentes países da Europa, tendo constatado (sem grande surpresa aliás) que também nesse domínio Portugal está mal colocado (ver imagens abaixo).

Isolamento Sonoro a Sons Aéreos (B. Rasmussen, 2009)

Isolamento Sonoro a Sons de Percussão (B. Rasmussen, 2009)

De facto, enquanto que nos países mais evoluídos da Europa o valor do índice de redução sonora aparente (R´w) entre fogos (e refiro-me ao patamar mínimo legal, uma vez que nesses países existem vários níveis de qualidade) é da ordem dos 55 dB, em Portugal esse valor é da ordem dos 50 dB.  Já no caso dos sons de percussão a diferença é de 60 dB para 53 dB (como se sabe neste caso quanto mais baixo melhor é o desempenho).

E, tal como alguns (infelizmente demasiados, que fazem esquecer muitos com qualidade) empresários reclamam sobre o elevado valor do salário mínimo em Portugal, também alguns (mais, menos, não sei…) empreiteiros, e também alguns técnicos(!), defendem que o isolamento sonoro exigido pela legislação nacional é demasiado elevado. Alguns há que até defendem ambas as perspectivas.

Para esta mentalidade, acompanhada aliás pela generalidade das instituições com responsabilidades ao nível da governação e do licenciamento (respectivamente para ambos os casos) não há UE ou FMI que nos valha. Apenas a qualidade e exigência da sociedade civil. Até lá, resta-nos o bom e triste fado.

(Guest Post de Tiago M.D. Ferreira, Log(Acústica))

Para quem se interessar por Acústica visite o grupo “Ruído em Edifícios” no Facebook no qual Tiago Ferreira é administrador.

84% dos Alunos FEUP encontram Emprego em 6 meses

A notícia é do jornal Público. Segundo consta, 84% dos alunos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto que acabaram o curso em 2009 encontram emprego nos 6 meses seguintes à finalização do curso. Estes números são relativos a todos os cursos desta faculdade (e não apenas de Engenharia Civil). Em tempos de crise, 84% é um bom valor, o que vem confirmar que FEUP é sinónimo de empregabilidade. No entanto, desceu 7 pontos percentuais em relação ao ano transacto.

A notícia pode ser consultada da integra aqui.

Preparação de Obras

Paulo Mourão dos Reis compila num livro de 140 páginas muita da experiência adquirida em 13 anos, no envolvimento em inúmeros projectos. Formado como técnico de desenho e encarregado de construção civil, Paulo Mourão dos Reis consegue reunir neste precioso livro um conjunto de informações que um engenheiro civil deve saber.

“Preparação de Obras” tem sido um sucesso de vendas, estando actualmente na sua 3ª edição.

Esta óptima ferramenta pode ser adquirida com um desconto de 10% na EngeBook, com um preço de venda final de 18,90€.

Índice:

1. AS PEÇAS ESCRITAS DO CONCURSO
1.1. Caderno de Encargos
1.2. Memórias Descritivas
1.3. Articulado ou Lista de Quantidades

2. AS PEÇAS DESENHADAS
2.1. Preparação e Compatibilização
2.1.1. A “base”
2.1.2. Estrutura
2.1.3. Alvenarias
2.1.4. Mapa de vãos
2.1.5. Pormenorização para execução
2.1.6. Desenhos Gerais de Acabamentos
2.1.7. Esgotos
2.1.8. Redes sob Pressão
2.1.9. Electricidade
2.1.10. Avac
2.1.11. Galerias Técnicas e Courettes
2.1.12. Planta de Redes exteriores
2.2. O CAD como ferramenta privilegiada de desenho
2.3. Esquissos – uma ajuda rápida e eficaz
2.4. O arquivo de obra e o sistema de qualidade
2.5. Telas Finais

3. OUTROS TIPOS DE PREPARAÇÃO
3.1. A exposição de dúvidas ao Dono de Obra
3.2. Consultas a fornecedores
3.3. Preparação de encomendas
3.4. A Internet como fonte de ajuda
3.5. Subempreitadas de grande complexidade técnica.
Compatibilização de desenhos dos Subempreiteiros

4. OS DIVERSOS INTERVENIENTES NA OBRA
4.1. A equipa técnica como um todo
4.2. Lidar com os Encarregados
4.3. Dono de Obra / Fiscalização / Projectista
4.4. Controlar os Subempreiteiros

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Declarações do Prof. Raimundo Delgado sobre Sismo no Japão

É com algum atraso que publico aqui algo sobre o sismo ocorrido no Japão no passado dia 11 de Março. Este vídeo, tem quase meia hora de duração e corresponde às declarações do Prof. Raimundo Delgado no programa Praça da Alegria (RTP). Para quem não o conhece, Prof. Raimundo Delgado é “apenas” um dos melhores e mais carismáticos professores da FEUP. É também um dos especialistas em Dinâmica Estrutural de Portugal.

Reacção Álcalis-Sílica

A Reacção Álcalis-Sílica (RAS) tem sido uma das causas de origem química de degradação do betão. A manifestação desta patologia surge sob a forma de fendilhação. É um tipo de reacção expansiva interna que reduz consideravelmente a durabilidade do betão.

A origem deste problema está na reacção entre o cimento e os agregados. Assim, se juntarmos agregados reactivos com cimento de alcalinidade elevada, na presença de humidade existe grande probabilidade de ocorrer a RAS. Sendo RAS a formação de um gel interno expansivo.

A descoberta deste problema em Portugal data de 1990, na barragem da Pranaca. Assim, muitas construções anteriores a esta data apresentam problemas devidos a esta reacção. O viaduto Duarte Pacheco (detecção em 1993), Ponte da Figueira (em 1997), viadutos do Mondego (em 2002), ponte sobre Guadiana (em 2005), ente outros, foram obras de arte que manifestaram este problema e que obrigaram ao reforço de estruturas, com a reparação do betão.

Manifestações:

– Fissuração em rede;

– Fissuração orientada;

– Movimentos/Deformações;

– Coloração de fissuras;

Como prevenir?

– Utilizar agregados não reactivos aos álcalis

– Reduzir a alcalinidade da solução intersticial do betão

– Controlo da Humidade

 Vejam este documento do LNEC aqui, de fácil leitura e compreensão e com imagens ilustrativas deste tipo de reacção.

Assédio na Universidade

Impulsionada por alguns desabafos da Liliana e aproveitando o facto do blogue Engenharia Portugal ter como público-alvo Estudantes de Engenharia e Engenheiros Civis vou relatar algo que me aconteceu há uns anos atrás:

Era eu ainda aluna de Engenharia Civil numa faculdade da zona de Lisboa. No meio de muito spam que recebia, surgiu um e-mail de um professor: “Cara aluna, gostaria que viesse falar comigo ao meu gabinete. Beijinho”. Confesso que estranhei aquele “ beijinho” do final. Mas talvez por ser nova na universidade não estava perfeitamenteconsciente do tipo de tratamento entre professores e alunos. E lá fui eu feita parva ver o que ele queria (com a pulga atrás da orelha).

Mal entro, manda-me fechar a porta. Depois, declara-se! Disse que estava apaixonado por mim, que não aguentava mais os olhinhos que lhe fazia (ou supostamente fazia), etc… A minha primeira reacção foi dar-lhe um estalo. Mas por respeito, fiquei a ouvir o que ele me estava a dizer e obviamente que nem lhe dei palha! Só me apetecia meter num buraco.

Quando ele começou a ver que não ia conseguir nada, passa para o ataque: “Sabe como funcionam as coisas aqui: um 10 tanto pode ser 15 como 7!”. Confesso que fiquei um bocado boquiaberta com aquela conversa! Mas eu não sou subornável. Eu ignorei-o e mal tive oportunidade saí do gabinete dele. Nunca mais tive coragem de o olhar na cara desse estupor :s Ainda pensei em fazer queixa, mas não me quis expor.

Moral da história: em 5 anos apenas reprovei à disciplina de que este professor era regente. Só a consegui fazer à terceira tentativa, sendo apenas aprovada precisamente no ano em que este professor não era o regente! Coincidência? Talvez. Foi o factor psicológico que me fez reprovar? Nunca saberei. Felizmente foi no início do curso. Caso contrário podia-me impedir de concluir o curso nos 5 anos. 

Será que isto era/é o pão-nosso de cada dia?! Ou foi apenas um caso isolado? Mesmo que eu quisesse alguma coisa com ele seria ético?

(Guest-Post de leitora devidamente identificada)